Diz o instituto português da Segurança Social que, em 2008, 11 das 12 crianças adoptadas no estrangeiro por casais portugueses são oriundas do arquipélago cabo-verdiano. E a adaptação não é fácil. Uma delas, a Gabriela
Chorava porque fazia frio, estranhava a alimentação, que passou a ser mais variada e abundante, desconfiava de tudo à volta porque vivia num meio em que todos eram diferentes dela.
(…)
Todos os dias os colegas da escola fazem perguntas difíceis: “Querem saber por que razão os pais são brancos e ela preta.” A curiosidade dos amigos teve, durante algum tempo, consequências que deixaram Sofia e João preocupados: “Houve uma fase em que ela se recusava a falar de Cabo Verde, em que queria arrancar a pele para ficar branca como os pais.” E o casal teve então de deixar entrar a cultura cabo-verdiana em casa para a filha voltar a ter orgulho nas origens. Há mornas e coladeiras para dançar na sala de jantar, bonecas de carapinha espalhadas no quarto da filha, restaurantes africanos para a família descobrir os sabores tropicais.
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Mesmo sem ler toda a matéria, dá para entender o que se passa: não basta aos pais adoptivos gostarem das crianças que adoptam! Não podem desenraísa-las, como quem arranca uma cenoura do solo: essas crianças já têm história, embora curta, e é mister não os espoliar dela como se, de reperente, o passado tivesse deixado de extistir. É uma questão de respeito pela individualidadde das pessoas, seja qual for a sua idade, o seu status, a sua fome…
Concordo, caro Zito. Parece-me que as instituições que cuidam dessa burocracia não levam isso em conta e não aconselham os pretendentes recorrendo à ajuda de profissionais na matéria. Claramente, uma falha.