Amílcar Tavares

Efeméride: Há 35 anos assinava-se o acordo que descolonizou Cabo Verde

by Amílcar Tavares on 17/12/2009

Estátua de Diogo Gomes na Praia - Cabo Verde

Lisboa acolheu, há 35 anos, oito meses após o “25 de Abril”, a cerimónia de assinatura do histórico acordo que fixou o esquema e calendário do processo de descolonização de Cabo Verde.

Via RTP

Créditos da foto: Erik Cleves Kristensen. Usada sob licença Creative Commons 3.0.

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Retrospectiva do ano 2009: Os dez posts mais comentados no AmilcarTavares.com durante o ano — Blog do Amílcar Tavares
02/01/2010 at 07:14

{ 17 comments… read them below or add one }

1 carlos 18/12/2009 at 17:41

Descolonização? Parece-me que foi mais um abandono um “chega pra lá”. O razoável e justo era ter tratado Cabo Verde e as suas gentes como foram tratadas as outras ilhas (Madeira e Açores) descobertas e povoadas pelos e com os portugueses. Hoje Cabo Verde tal com S Tomé seriam regiões autónomas, governadas pelas suas gentes sob soberania do país a que genuinamente sempre pertenceram. A meu ver foi um golpe baixo típico da luta suja e subterrânea entre as superpotências, aproveitado pelos camaradas do PAIGCV com o apoio dos comunistas que então no governo português personificados no Vasco Gonçalves promoveu o processo dito de “descolonização”. Ou melhor, um acto ultra racista bem disfarçado, aseente na ideia mais racista que pode haver, aquela que sustenta que “África é para os africanos” que obviamente implica que a Europa é…pois! Um abraço fraterno ao povo caboverdiano.

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2 Jorge Carlos Dias 19/12/2009 at 09:52

F oi pena que o Acordo não tivesse conduzido Cabo Verde, por culpa do PAIGC, a uma democracia após a Independência. No Acordo estava prevista uma a Assembleia Constituinte . Mas , no no dia 5 de Julho, os Deputados Constituintes, decretaram a transformação da Assembleia Constituinte em Assembleia Nacional Popular em sede de aprovação da famigerada Lei sobre a Organização Politica do Estado.Entre outros, eram deputados nessa altura o Padre Fidalgo, Isaura Gomes, Eugénio Inoicêncio, Manuel Faustino e Maurino Delgado, pessoas essas que ainda não fizeram autocritica por terem participado num golpe de estado palaciano, num atentado à democracia.

A Dra Isaura esteve no PAICV até que uma traição conjugal a levara a abandonar a politica activa…

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3 Simão Mendes 19/12/2009 at 10:11

Se se tivesse sido instalada a Assembleia Constituinte, o povo de Cabo Verde teria decerto contrariada instalação de um regime de partido único, já que já estav a farto do fascismo portugês.

O povo queria a Independência, mas também a democracia que lhe foi negada pelos deputados eleitos no dia 30 de Junho de 1975.

Curiosaamente, a assinatura do Acordo coincidiu com efectivação da maior repressão da história da Ilha de Santiago, promovida pelas bases do PAICG com a cumplicidade do MFA em Cabo Verde.

Da Assomada foram presos: Cecilio Nunes, Emidio Fontes, Senhor Elias, Arlindo Barradas, Pedro e João Varela, etc. Mandavam na estrutura local de Santa Catarina que foi co-responsável pela prisão daqueles santacarinenses : os irmâos Sena Martins (Pedro, José Maria e Júlio), António Pereira Neves, Manuel Veiga, etc.

Arlindo Barradas acusa o irmão David Hopfer Almada ( o tal que abandonara o PAICV, após o desaire eleitoral e grande accionista da CVtelecom graças à PT de Portugal que lhe avalizou um empréstimo em Portugal para comprar acções)

Tais responsáveis ainda não pediram deculpa às vitimas da brutal repressão.

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4 Carlos 19/12/2009 at 14:25

Caro Simão Mendes, o povo queria a independência ou livrar-se do regime ditatorial que vigorava em Portugal? Como a maioria do povo português queria. Muitos amigos caboverdianos que conheci queriam liberdade e uma vida melhor, mas nunca os ouvi reclamar independência. Como bem diz os camaradas do PAICG e do MFA entenderam-se naquilo que lhes convinha: dar o poder a Moscovo.

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5 Jorge Carlos Dias 19/12/2009 at 15:08

Oh Carlos, o povo queria era mesmo independência. Em 1974 e 1975, ninguém queria estar ligado a Portugal que estava a viver o PREC (processo revolucionário em curso). O povo não queria o regime de partido único, que lhe foi imposto pelos deputados eleitos a 30 de Junho de 1975… Tais deputados rasgaram o Acordo havido com Portugal.

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6 Madeirense 21/12/2009 at 16:48

Uma independência, não pode ser vista só pelo aspecto económico, mas também pelos diversos espectos socio-culturais. É evidente que Cabo Verde possui muitas influências portuguesas mas também possui muitas influências genuínamente africanas, pelo que comparar Cabo Verde com a Madeira e os Açores é errado.
Claro que Cabo Verde exactamente porque possui muitas influências portuguesas, é normal que passe por vezes por crises de identidade do género “sou africano ou sou europeu?” É só visitar forums cabo-verdianos para observar esse fenómeno.
Se Cabo Verde fosse uma região autónoma portuguesa estaria melhor? Talvez, mas independências não se discute, porque senão então poderia chegar também à conclusão que seria melhor Portugal ser uma região autónoma de Espanha.

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7 Vavá 21/12/2009 at 17:21

Muito bem analisado, Madeirense

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8 Jorge Carlos Dias 21/12/2009 at 21:53

A independência não se discute. Pode-se é questionar se foi oportuna a instauração de regime de partido único num país saído do fascismo. Entendo que não.

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9 Madeirense 22/12/2009 at 11:13

O que se passou após a assinatura do Acordo já não é um problema de Portugal mas sim de Cabo Verde, pois não competia a Portugal definir o regime constitucional da nova Nação.
Pessoalmente penso que a ideia duma unidade Guiné/Cabo Verde era demasiado “lírica” para ter sucesso, aliás como se comprovou mais tarde.

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10 Jorge Carlos Dias 22/12/2009 at 22:41

Caro Madeirense, Portugal até queria que o sistema politico a ser implantado em Cabo Verde fosse democrático! O Acordo falava até em Assembleia Constituinte e a Lei Eleitoral não reconhecia ao PAIGC o poder de apresentar candidaturas! O golpe de estado legislativo do dia 5 de Julho de 1975 veio abrir o caminho ao regime autoritário do PAIGC.

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11 Carlos 23/12/2009 at 00:24

Caros madeirense. Claro que agora Cabo Verde é um país independente e isso já não tem discussão. As suas permisses são falsas. Querer comparar a situação de Portugal vs Espanha com Madeira vs Cabo Verde é dar uma grande cacetada na história de Portugal. Simplesmente Portugal tem quase 9 séculos de história dentro dos quais 5 desses séculos foram em comum com Cabo Verde, ilhas de descoberta e povoamento, povoadas por portugueses e depois por africanos. A unidade de uma nação não se faz meramente por questões económicas, mas por identidade partilhada. A meu ver até aos PAIGCs inventados por alguns intelectuais comunistas existirem havia dúvidas que Cabo Verde era parte integrante da nação portuguesa?

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12 Jorge Carlos Dias 23/12/2009 at 22:09

Caro Carlo, juridicamente Cabo Verde era parcela de Portugal, mas em situação de dominio e exploração colonial. Era uma colónia de portugal, estando os seus habitantes submetidos quer ao fascismo quer ao colonialismo.

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13 Carlos 24/12/2009 at 16:25

Oh homem, caro Jorge o fascismo em Portugal, se o houve de facto o que não é rigoroso aformar, é coincidente com o regime salazarista. O colonialismo é uma invenção da guerra fria inventada para ,colonizado pelos portugueses, eram ilhas desertas. Aos portugueses juntaram-se outros povos entre os quais os oriundos do continente africano, como bem sabemos uns por via do negócio de escravos outros por deslocação livre ou às vezes nem por isso. Querer dizer que Cabo Verde era apenas juridicamente território português é um disparate completo, era de direito e de facto. Sempre o foi, desde a sua descoberta e posterior povoamento. Se agora é um país independente tudo bem, mas isso não muda em nada a história até 1975. Antes de se falar em exploração colonial, colonalismos e outros ismos é preciso contextualizar os acontecimentos e os processos, de outra forma essa linguagem só serve para justificar o, a meu ver, injustificável processo de independência tal como ele se verificou. Portugal portou-se muito mal ao descartar-se de Cabo Verde renegando a sua própria história e as suas responsabilidades nacionais com um acto rqacista e de verdadeiro abandono. Sabe que os camaradas de Lisboa justificavam o abandono dizendo que “aquela coisa só dava prejuízo”? De consciência pesada do governo português anda este país. Ainda bem, pois essa má consciência tem despoletado uma cooperação linda e frutífera. Há dias um caboverdiano dizia sem rodeios a propósito da comemoração da independência: “Foi uma festa bonita com os aviões da FAP a sobrevooar a cidade. Mas o momento mais solene, mais tocante e triste foi ver partir os soldados portugueses”. Feliz Natal!

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14 Jorge Carlos Dias 24/12/2009 at 17:25

Caro Carlos, a presença portuguesa, no contexto colonial, só era possível em Cabo V erde, pela repressão e força, por não ser desejada ou querida.

Logo no dia primeiro de Maio de 1974, viu-se que os portugueses estavam a mais em Cabo Verde e foram-se embora, para alegria da maioria e tristeza de uma minoria sem consciência politica.

Os portugueses e seus colaboradores que não queriam viver num país dirigido por cabo-verdianos tiveram mesmo que, ir-se embora.

Alguns portugueses honestos por cá ficaram…já que dependiam do seu próprio trabalho e reconheciam no cabo-verdiano a capacidade de conduzir essas ilhas ao progresso.

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15 Carlos 24/12/2009 at 18:55

Caro Jorge, boas festas e felicidades para si. Já percebi bem a ideologia que o anima e quanto a isso nada posso fazer. Infelizmente esse caminho tem feito a sua história, a “maioria” vs “minoria”, coisa que nunca ficou a saber-se quem integrava o quê e qual o seu verdadeiro peso social e numérico. Foi decretado e pronto. Tal como foi decretado que por aí ficaram apenas os portugueses honestos. Todos os outros eram desonestos, os que partiram. Logo nos primeiros dias de Maio de 1974. Dito de outra forma até parece que Portugal conquitou Cabo Verde pela força das armas ao povo que por lá habitava no séc. XV. Já agora achego que demograficamente é assim : “O povoamento das ilhas foi feito por brancos, na sua maioria portugueses, mas também italianos (genoveses), holandeses, ingleses e franceses, e por negros de várias etnias, trazidos como escravos da costa ocidental de África, principalmente balantas, papéis e jalofos” e “cerca de 71% dos habitantes do arquipélago são crioulos, luso-africanos, cerca de 28% africanos descendentes de escravos e imigrantes de outros países africanos”.

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16 Madeirense 30/12/2009 at 12:29

Carlos, os desejos de um bom Ano Novo cheio de alegria e felicidade.
Em relação ao tema em apreço, embora percebendo a sua nostalgia, que tem muito a ver com a forma como a geração que hoje tem mais de 50 anos, foi ensinada em Portugal; o Portugal pluricontinental etc etc que apesar de todos os defeitos colonialistas e afins, tinha no entanto uma virtude, éramos e somos ainda uma geração que tem uma relação emocional muito forte com Africa. Africa para nós (eu sou dessa geração e julgo que você também) apesar da guerra porque passamos, é algo muito presente, no meu caso é a Bissau dos anos 70 com o seu mercado, as praias de Bijagós, a simpatia dos guineenses (para mim um povo que não merece aquilo que vem sofrendo nos últimos anos) etc etc. Os maus momentos, e houve muitos (estava estacionado em Pirada a 3 Km da fronteira com o Senegal, já dá para ver como eram as coisas) esses felizmente estão esquecidos.
Agora, uma coisa temos que entender, estes povos tinham o direito à autodeterminação, e no caso de Cabo Verde é completamente irrelevante que tenha sido descoberto pelos portugueses, que tenha sido maioritariamente colonizada por europeus etc , o que importa é o que a sua população actual, quer. E ela decidiu-se pela independência, o que só nos compete respeitar.

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17 Carlos 02/01/2010 at 17:58

Caro amigo madeirense, não concordo com o que diz sobre “decidiram-se pela independência”, nem quanto ao que diz sobre a nostalgia. Nada disso. Em primeiro por que nunca houve em Cabo Verde nenhum movimento sério de independência nem consulta popular devidamente organizada. Não basta que alguns grupos organizados reivindiquem para se conceder uma mudança drástica que é uma transferência de soberania. Qualquer dia na Madeira aparece um grupo qualquer e pede a independência, aproveitando uma qualquer crise nacional e pronto. O 25 de Abril despoletou uma crise nacional e isso foi aproveitado por alguns. Depois por que não coloco Cabo Verde no mesmo patamar de Angola; Guiné ou Moçambique, pelas razões que invoquei. Ali tratou-se de um mero abandono e nada mais do que isso. Ou quem acha que hoje sustenta a independência daquele país? Bom ano novo.

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