Amílcar Tavares

10 de Dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos

by Amílcar Tavares on 10/12/2009

Rhode Island Coalition Against Domestic Violence - Punching bag

A renovação do empenho de todos no cultivo, fortalecimento e preservação dos direitos humanos fundamentais e das liberdades públicas faz-se hoje, pois a contínua violação dos direitos humanos por Estados e grupos armados em todo o mundo é intolerável.

Assim como são os abusos contra mulheres, crianças, refugiados, trabalhadores, gays, lésbicas, bissexuais e transgéneros, entre outros, que estão bem presentes em todos os cantos do planeta. A violência doméstica ainda é prática comum em Cabo Verde, sintoma de uma sociedade atrasada, indiferente à agressão física, psicológica e verbal. Preocupado com esse cenário, subscrevo a Carta de Princípios da Rede Laço Branco de Cabo Verde – Homens Contra a Violência de Género:

Quem somos?

O Laço Branco Cabo Verde é uma Rede fundada no dia 10 Julho de 2009, por um grupo de homens das mais variadas áreas de formação e de actuação. Caracteriza-se pelo forte engajamento na promoção da igualdade de género, pelo fomento de alianças com outras instituições/organizações da sociedade civil que se posicionam a favor dos direitos humanos e contra a desigualdade de género e a todas suas manifestações, especialmente contra a Violência Baseada no Género (VBG).

Porque surgimos?

Na sociedade cabo-verdiana prevalecem preconceitos e estereótipos sexistas bastante enraizados e uma das faces mais visíveis destas representações são os altos índices de violência contra a mulher, que têm como efeito a deterioração de relações nos espaços privados e públicos.

E porque os homens são ao mesmo tempo parte do problema e da solução, pretendemos, confrontá-los com atitudes, normas sociais e comportamentos discriminatórios em relação aos papéis de género e de violência contra as mulheres, queremos nos e os comprometer nesta luta de identificação e eliminação das práticas sociais injustas em função do género e pôr fim a todos os tipos de violência contra a mulher.

Em que acreditamos?

Que ser homem NÃO É:

  • Ter muitas parceiras;
  • Usar violência contra outros;
  • Aguentar a dor;
  • Procriar um grande número de filhos e filhas;
  • Exercer o poder sobre outrem;
  • Ser heterossexual.

Que ser homem É:

  • Saber construir relações baseadas no respeito e igualdade;
  • Não tolerar qualquer tipo de violência;
  • Ter coragem de pedir ajuda;
  • Saber partilhar decisões e poder;
  • Saber respeitar a diversidade e os direitos de todas e todos.

O que queremos?

  • Difundir e multiplicar a mensagem do Laço Branco Cabo Verde;
  • Promover a igualdade e a equidade do género;
  • Combater todas as manifestações de violência, nomeadamente a VBG;
  • Promover e estimular a assumpção plena dos direitos e deveres próprios da paternidade;
  • Apoiar as políticas e iniciativas que fomentem a equidade de género na família, na saúde, na justiça, na educação, na política, na economia e na comunicação social.

Para tal, a rede tem o intuito de sensibilizar, envolver e engajar os homens em Cabo Verde e a sociedade civil em geral no combate à Violência Baseada no Género e a todas as formas de desequilíbrio de género, assim como na desconstrução de visões distorcida de masculinidade.

Quais os princípios dos quais não abdicamos?

  • Da visibilidade no combate à violência contra a mulher;
  • Da denúncia e combate a todos os actos de omissão, infracção, comportamento discriminatório, nomeadamente, machismo/sexismo, de exclusão social, homofobia, racismo ou qualquer outro tipo de comportamentos contra mulheres, homossexuais, bissexuais, transexuais e de violação dos direitos resultantes da desigualdade de género;
  • Da aliança com as mulheres para alcançar a equidade de género e conquistar direitos, saúde e bem-estar das mulheres e meninas;
  • Da assumpção e partilha das responsabilidades que a constituição da família implicam, nomeadamente o cuidado das crianças ou dependentes e as tarefas domésticas
  • De praticar uma nova masculinidade que respeita a diversidade sexual e os direitos reprodutivos de mulheres e homens;
  • De nos responsabilizar pelo nosso bem-estar, pela nossa saúde, planeamento familiar e por uma prática sexual responsável;
  • Da identificação e da denúncia das necessidades específicas e experiências de homens e meninos que não são tomadas em conta pelas políticas públicas e práticas profissionais em todas as áreas;
  • Da transparência, honestidade, justiça e ética em todas as nossas acções;
  • Da colaboração e diálogo com todo o tipo de instituições.

Contactos:

  • Email: lasubranku_cv@yahoogrupos.com.br
  • Facebook
  • Endereço postal: Rua Serpa Pinto Nº 68, C.P 253
  • Telefone: 2616271 | 2615174

Hoje, a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 61 anos.

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{ 3 comments… read them below or add one }

1 Jorge Carlos Dias 13/12/2009 at 21:36

os homens que integram o Laço Branco C abo V erde devem dar exemplos e não bons concelhos. Entre ele há um que não segurou o c asamento por muito tempo… Mas com o que interessa é parecer….

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2 Ivan Santos 14/12/2009 at 13:13

os homens que integram o Laço Branco não precisam estar necessariamente casados para fazer parte desta luta…!!!precisam acreditar que podem de alguma forma contribuir, como parte do problema e da solução da temática violência de género.

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3 Jorge Carlos Dias 14/12/2009 at 22:22

Estou de acordo com Ivan Santos. Muitas vezes o divórcio tem na origem violência moral de género.

O homem que se divorcia pode ter sido um potencial violador de genéro.

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