Amílcar Tavares

Mito: Fuga de cérebros (II)

by Amílcar Tavares on 20/11/2009

African International Summer Survey Institute Students

É aceite que a fuga de cérebros pode tornar a economia de um país menos atractiva para o capital estrangeiro e aborta o desenvolvimento de pólos de alta tecnologia, entre outras consequências negativas. Um artigo publicado na BBC toca num desses pontos:

Compreensivelmente, estes quadros – que retornam ao continente como africanos extensivamente aculturados, após décadas de vivência nos meios financeiros do ocidente – tendem a colocar os seus países em alinhamento automático com as ortodoxias económicas dos órgãos que outrora representaram.

Não de outro modo, carregam a bandeira das reformas económicas apregoadas no ocidente após a falência dos estados de bem-estar social, reproduzindo quase de forma anedótica as fórmulas caras ao positivismo oitocentista de transplante do “progresso” ocidental aos meios ainda não tocados por suas luzes.

A África parece agora engajada em um novo ciclo colonial, com a exportação de profissionais qualificados e, após algumas décadas, o retorno de alguns deles como figuras chave, porta-vozes do discurso, dos interesses, e da praxis pró-ocidental.

Créditos da foto: BenSeese. Usada sob licença Creative Commons 3.0.

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