Amílcar Tavares

O que é que os cabo-verdianos aprenderão com a dengue?

by Amílcar Tavares on 17/11/2009

Mural Andrew Mosquito dengue contra ataca

Nada. Ou quase nada. Estudos académicos nas universidades de Harvard e Virginia sobre a aprendizagem das pessoas perante acontecimentos emocionais diz que as pessoas que tiveram feedback positivo não aprenderam com a experiência ao fazer previsões sobre as suas reacções a eventos futuros positivos enquanto as pessoas com feedback negativo moderaram as suas previsões sobre as suas reacções a eventos futuros negativos, mas isso não pode ter sido um resultado de aprendizagem. Em vez disso, os participantes denegriram o teste para se sentirem melhor e, ao prever reacções futuras, vem ao de cima esse factor e inferem que se a experiência correr novamente mal, tal não os iria decepcionar. A experiência de um evento negativo (mas não com um evento positivo) pode melhorar a precisão de uma previsão, mas a medida com que as pessoas aprendem com os seus erros de previsão pode ser limitada.

Claramente, a última epidemia de cólera, doença associada à extrema pobreza, em Cabo Verde que teve lugar em 1995 e que causou várias vítimas mortais devia ter principiado os eleitos e os decisores na arte da prevenção. Mas não foi o caso.

Quase 15 anos depois, aparece a dengue, que prolifera pela pobreza, pela falta de higiene, água potável e saneamento, e pelo ineficaz tratamento do lixo.

Obviamente, sem um combate sistemático e criterioso, as demais medidas apresentadas nos últimos dias serão paliativas. Como, aliás, foi em 1995.

Na altura não houve um plano global. Hoje também não.

Créditos da foto: Bruno Biagioni Neto. Usada sob licença Creative Commons 3.0.

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