Amílcar Tavares

Um negócio da China

by Amílcar Tavares on 14/10/2009

I love China More Than Ever

Nas últimas décadas, os países ocidentais têm exigido mais dos seus parceiros africanos. Mais e melhor Governação, atenção aos Direitos Humanos e abertura económica. Mas há uma nova potência que emerge no continente e que está disposta a fazer qualquer tipo de acordos, sem perguntas nem princípios incómodos.

A China tem investido forte nos commodities africanos. O petróleo em Angola e no Sudão, os minérios no Congo, na Guiné, na Zâmbia e no Zimbabué. Em troca, financia inúmeros projectos como barragens, estradas ou linhas férreas. Mas quando a China diz que não quer impingir os seus valores aos outros e que não é paternalista, também está a dizer que tragédias como o genocídio em Darfur ou a miséria dos zimbabuenses, não lhe interessam para nada.

E nem quer saber.

Apesar de sedutora, sobretudo pela sua praticidade, a proposta chinesa não diz onde estão os carros que galgarão o asfalto, os comboios que deslizarão nos carris ou os médicos que operarão às cataratas, mas está implícito que estes encargos deverão ficar às expensas dos respectivos governos que, regra geral, são ineficazes e corruptos.

Claramente, a fácil alternativa chinesa não os tornará mais responsáveis, melhores governantes, defensores dos Direitos Humanos e proporcionadores de um clima económico favorável.

Obviamente, tudo isso terá os seus custos. Pesadíssimos, como sempre.

Créditos da foto: China guccio. Usada sob licença Creative Commons 3.0.

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{ 15 comments… read them below or add one }

1 Treza 14/10/2009 at 11:24

As soluções fáceis têm sempre custos… mais cedo ou mais tarde… Mas o carpe diem político cose-se com linhas complexas, tantas vezes devido a pressões, tantas outras devido a ambições pessoais…

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2 tchale 14/10/2009 at 13:49

Lembra-me a história do rato que vai comendo nas pessoas e ao mesmo tempo vai soprando para não doer.

A China em termos de direitos humanos?… intelectuais perseguidos, uma população que trabalha em condições escravagista… que mais dizer caro Amilcar?

Abraço

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3 Amílcar Tavares 14/10/2009 at 19:27

É exactamente dessa China que se trata, caro Tchalé. Pois é. Nada mais a dizer.

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4 Edson 14/10/2009 at 15:30

De certo modo, eu acho que a China esta certa na sua politica de "cada um com seus problemas".
A China deixa bem claro que seu interesse é apenas comercial e não quer impor valores e "etica" a seus parceiros.

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5 AmilcarTavares 14/10/2009 at 19:23

Pode-se depreender caro Edson, será um problema exclusivamente cabo-verdiano e senegalês se o Senegal, por exemplo, resolver invadir Cabo Verde. Ninguém pode meter a colher. Pelo seu modo de pensar, é isso. Não é?

Lamento muito, mas está redondamente enganado.

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6 Amílcar Tavares 14/10/2009 at 19:24

Pode-se depreender caro Edson, pelas suas palavras, que será um problema exclusivamente cabo-verdiano e senegalês se o Senegal, por exemplo, resolver invadir Cabo Verde. Ninguém pode meter a colher. Pelo seu modo de pensar, é isso. Não é?

Lamento muito, mas está redondamente enganado.

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7 Amílcar Tavares 14/10/2009 at 19:26

Pode-se depreender caro Edson, pelas suas palavras, que será um problema exclusivamente cabo-verdiano e senegalês se o Senegal, por exemplo, resolver invadir Cabo Verde.

Ninguém deve meter a sua colher nesse assunto. Temos que nos desenrascar sozinhos contra eles. Pelo seu modo de pensar, é isso. Não é?

Lamento muito, mas está redondamente enganado.

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8 Edson 14/10/2009 at 22:31

Nao quero dizer que os problemas de cada pais sao isolados e deixe que eles se matem.
Mas quem, qual pais no mundo tem a moral suficiente para impor seus valores a outro pais? Os mais ricos aos mais pobres? Isso nao cheira aos EUA querendo libertar o Iraque de Hussein?

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9 AmilcarTavares 15/10/2009 at 19:48

Completamente off topic trazer para cá o Iraque.

Aqui discute-se uma estratégia para África, responsável e com benchmarks definidos contra outra que diz "Quero recursos. Se andam aos tiros ou se andam a roubar, problema vosso".

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10 João Cardiga 15/10/2009 at 10:40

Caro Amilcar,

Muito obrigado por ter visitado o nosso blogue. E obrigado por ter deixado o link para este artigo. Do que conheço de Angola parece-me que a China, após alguns anos de investimento, está a perder alguma influência. E concordo com o que afirmas no teu artigo.

Edson,

"Mas quem, qual pais no mundo tem a moral suficiente para impor seus valores a outro pais? "

Não é uma questão de um país impor os seus valores sobre o outro, mas sim o de influenciar/pressionar o país/paises a cumprir o compromisso que assinaram quando entraram para a ONU.

Relembro que os Direitos Humanos nao sao um monopolio da cultura ocidental, mas sim algo que todos os povos assumiram com um bem a preservar. Ou seja nao se trata obviamente de um choque de culturas..

''Isso nao cheira aos EUA querendo libertar o Iraque de Hussein?''
Relembro que o principal motivo dessa guerra foi uma questao de seguranca, ou seja, foi uma guerra preventiva e nao uma guerra de libertacao…

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11 Edson 15/10/2009 at 15:29

Os direitos humanos devem ser preservados pelos orgãos internacionais como a ONU e não serem usados como moedas para trelações comerciais.

Eu citei Iraque mais como exemplo de como um valor aparentemente digno pode ser usado para fins não tão dignos assim… não quis dizer que a relação é direta.

Otima dicussão!

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12 AmilcarTavares 15/10/2009 at 20:12

Mais uma vez, percebeu mal a questão. E lamento vê-lo a politizar esta questão.

Na verdade, a falta dos Direitos Humanos resultou, e continua a resultar, em actos bárbaros que ultrajam a consciência da toda a Humanidade, por isso, é um dever de todos defender os Direitos Humanos de uma forma efectiva. Todos os dias, em qualquer lugar do planeta.

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13 Edson 16/10/2009 at 12:28

Amilcar, Não acho que nem eu nem voce estejamos errados; apenas temos opiniões divergentes. Podemos ser amigos ainda.

Eu admiro sua visão de mundo, mas voce consegue imaginar a China sendo a policia (batalhão de choque) internacional?

Eu ainda prefiro que eles se mantenham apenas como parceiros comerciais…

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14 AmilcarTavares 17/10/2009 at 13:33

Não consigo imaginar por uma simples razão: eles não têm exemplos a dar a ninguém.

15 AmilcarTavares 15/10/2009 at 20:04

Muito obrigado João pela retribuição. Vá aparecendo.

Estou plenamente de acordo contigo sobre a questão da pretensa imposição de valores. Este discurso, aliás muito à moda de Muammar al-Gaddafi, anda muito disseminado no continente e não passa de uma retórica fútil e enganadora.

Em boa verdade, Cabo Verde é um bom exemplo da falsidade dessa falácia. O país, a par das Seicheles, Maurícia e Botswana, é um dos melhores alunos da turma dos prof's FMI – Banco Mundial e o país só ganhou com isso, e não consigo vislumbrar malefícios disso.

Cumprimentos.

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