Muitos ficaram satisfeitos com as notícias da semana passada que davam conta de que Cabo Verde foi o único membro da CPLP que melhorou a sua posição no ranking 2009 Global Corruption Barometer da Transparency International, mas ninguém examinou miudamente os dados.
Esses números demonstram que:
- Os níveis de corrupção, desde 2005, não diminuíram em muitas partes do mundo, alguns países até experimentam um aumento real.
- Os inquiridos apontam com mais frequência os partidos políticos e a função pública como a única instituição/sector que consideram ser mais afectados pela corrupção.
- Os entrevistados afirmaram que a instituição mais susceptível ao suborno é a polícia, seguida pelos serviços judiciários e os serviços de urbanismo (que lidam com terrenos).
- As famílias mais pobres são mais vulneráveis à corrupção: relataram com maior frequência o pagamento de subornos à polícia, ao judiciário, aos serviços de urbanismo, e aos serviços de educação, do que as famílias mais abastadas.
- Considerando apenas os entrevistados que pagaram subornos, as pessoas passam, numa estimativa conservadora, cerca de 7 por cento (!) de sua renda anual em subornos.
Demasiadamente entretidos com a posição no ranking, nenhum dirigente cabo-verdiano discorreu sobre as formas de combater a corrupção, e quando se olha para o Índice de Percepção de Corrupção do mesmo relatório — tem por base uma escala de 0 (muito corrupto) a 10 (livre de corrupção) — os cabo-verdianos classificam o problema com a nota de 5,1.
Naturalmente, as pessoas vivem com o problema no seu quotidiano mas se no topo da lista dos corruptíveis está a polícia e a Justiça, quem protegerá o delator?
Em boa verdade, ninguém o protegerá.
Créditos da foto: Lindomar Cruz. Usada sob licença Creative Commons 3.0.
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Exactamente xará. Por isso que eu tenho dito que em CV não se falam dos assuntos que importam e a imprensa se limita a fazer eco dos políticos. Estamos também classificados no grupo dos 50 piores destinos de negócios e o Jornal a semana comemora a subida de 1 ponto. Mt relativo?? ahahahahah
É curiosos verificar que os casos de corrupção que saem nos "jornais" cabo-verdianos estão sempre relacionados com o partido rival àquele que suporta a dita publicação. E quando um ex-dirigente de alguma coisa aparece para denunciar a corrupção é sempre com o intuito de se pôr em bicos de pés. Vai aos jornais, não fulaniza nem concretiza e, muito menos, reúne as concludentes provas e se desloca à PJ e ao Ministério Público.
Enfim, uma palhaçada.
Obviamente, o "A Semana" não é lá muito ambicioso nas suas metas. Tout court!
O documento que denunciava as coisas que passaram na Cabo Verde Investimentos se tivesse sido investigado pela Procuradoria Gereal, Cabo Verde desceria muito em termos de classificação quanto à transparência.
O chamado caso de “Saco Azul do Cofre Geral da Justiça” ficou arquivado, por implicar altas personalidades ligadas a Justiça “.
Enfim, o Governo ganha com a inoperância do Ministério Público!
O Governo e não só! O rol de processos que tiveram o mesmo tratamento já é extensa o quanto basta.
O documento que denunciava as coisas que passaram na Cabo Verde Investimentos se tivesse sido investigado pela Procuradoria Gereal, Cabo Verde desceria muito em termos de classificação quanto à transparência.
O chamado caso de “Saco Azul do Cofre Geral da Justiça” ficou arquivado, por implicar altas personalidades ligadas a Justiça “.
Enfim, o Governo ganha com a inoperância do Ministério Público!