Amílcar Tavares

A primeira vez de Barack Obama da ONU

by Amílcar Tavares on 30/09/2009

President Barack Obama talks with British Prime Minister Gordon Brown and French President Nicolas Sarkozy

Enquanto no exterior da sede da ONU pessoas gritavam “Assassinos nas Nações Unidas”, “Libertem os prisioneiros políticos no Irão” ou os familiares das vítimas do voo 103 da Pan Am protestavam, lá dentro se ouvia as mais desconexas e incoerentes discursos da história da organização.

Durante quase 100 minutos, bem longe das 4 horas e meia do recorde de Fidel Castro, pôde-se ouvir a sagacidade e a sabedoria do coronel Muammar al-Gaddafi, que pela primeira vez discursou nesse púlpito. Alegou que:

  • Barack Obama é seu filho;
  • A gripe suína foi criada pelas empresas farmacêuticas com o objectivo de ganhar mais dinheiro e agora estão trabalhando numa “gripe píscea”;
  • John F. Kennedy foi assassinado por Israel, porque ele queria investigar os seus reactores nucleares;
  • Um inquérito da ONU deve investigar o assassinato de Abraham Lincoln;
  • As Nações Unidas devem ser transferidas para Lisboa ou Pequim – para tornar a viagem menos árdua para a maioria dos países;
  • A pirataria dos dias de hoje em África é culpa do imperialismo ocidental;
  • A imigração para a Europa deve ser irrestrita, até que tenha se chegue à quantia de 7,7 bilião de dólares, correspondente à restituição.

Um bocadinho menos ousado, mas previsível, esteve Mahmoud Ahmadinejad e, por seu lado, Hugo Chávez já não cheira “enxofre” e convidou o seu homólogo norte-americano a se juntar “Eixo do Mal”.

Mais responsável que essas bizarras figuras, Barack Obama se comprometeu diplomaticamente com a ONU, com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, falou do desarmamento nuclear, a resolução do conflito israelo-palestiniano. Enfim, na direcção contrária de tudo o que, irresponsavelmente, o seu antecessor fez.

Mas o facto mais relevante desta 64ª sessão acabou por ser a brilhante jogada diplomática da Administração Norte-Americana quando conseguiu a anuência da França, Reino Unido, Rússia e da China, ostracizando um Irão que não assume as suas responsabilidades internacionais e está desenvolvendo um programa nuclear que põe em causa a segurança do mundo, atropelando a Agência Internacional de Energia Atómica e o Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

Este será, sem sombra de dúvidas, o tópico mais quente da política internacional dos próximos tempos.

Créditos da foto: The Official White House. Usada sob licença United States Government Work.

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1 mrvadaz 30/09/2009 at 20:59

Caro Amílcar,

Sinceramente, ainda hei-de perceber porquê que um senhor como Muammar al-Gaddaf, que tem todas as condições para contratar os melhores professores ou educadores, falar tanta loucura. Posso até estar a fazer juízos de valores mas não consigo perceber. Enfim, cada cabeça à sua sentença.

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2 AmilcarTavares 01/10/2009 at 21:00

É um infeliz ditador megalomaníaco, caro MrVadaz.

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