Amílcar Tavares

O Estado da Nação: o bom, o mau e o vilão

by Amílcar Tavares on 05/08/2009

O habitual debate sobre o Estado da Nação no Parlamento foi, como sempre, enfadonho. A tribuna parlamentar serviu de palanque para um tom próprio de uma campanha eleitoral, num está tudo bem contra um está tudo mal. Em contraste, há novidades e boas prestações na política. Mas também, há cidadãos perigosamente descontraídos e um Parlamento preguiçoso que deslustram o quadro.

O Bom

Naturalmente, o regresso do egrégio Carlos Veiga é portador de entusiasmo e renova esperanças num regresso do principal partido da oposição ao poder. Entretanto, a elevada presença feminina no elenco governamental, um bom sinal para a sociedade, e as suas boas prestações contribuem certamente para a satisfatória performance do executivo de José Maria Neves. Do mesmo modo, a equipa de Ulisses Correia e Silva tem tido um bom desempenho e destoa claramente dos restantes e, sobretudo, dos infelizes executivos anteriores, que à frente da capital do país, deixaram um rasto de incúria, inabilidade e fortes indícios de práticas ilegais.

O Mau

Os cidadãos devem saber que são responsáveis pela sociedade que integram e o sedentarismo dos cabo-verdianos em relação à gestão da coisa pública é muito propiciador ao nascimento de autarcas, deputados, ministros e burocratas prevaricadores. Por outro lado, há inúmeras ONG’s que têm feito um trabalho honesto e socialmente relevante na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Obviamente, precisam da ajuda de uma sociedade civil imbuída do espírito associativo e com a perfeita noção de que os eleitos devem ser responsabilizados.

O Vilão

O êxito da reforma da justiça que se faz em Cabo Verde é fundamental para o desenvolvimento do país mas o Parlamento é o único órgão que não percebeu isso ao legislar, evidente, fora da realidade, deixando indecorosos furos legislativos que acabam por ser bem aproveitados por indivíduos que preferem a outra margem da lei para a subida na escala social. Claro está, que afinal, antes da desejada revisão Constitucional, reformar o Parlamento é de necessidade imediata.

Este post vem no âmbito do tema escolhido para o BlogJoint. Leia outras abordagens sobre o tema nos outros blogs: Bianda, Blog di Nhu Naxu, Café Margoso, Emílio Rodrigues, Geração 20 J. 73, Ku Frontalidade, Nos Blogue, O Jornal da Hiena, Passageiro em Trânsito, Pedra Bika, Teatrakacia, Tempo de Lobos.

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