Há quem acredita ainda que os dias do apartheid e da discriminação chegaram ao fim? Nem muito perto disso. Puro fruto da burrice, este fenómeno ainda anda por aí e embora não seja o maior dos problemas do mundo de hoje, não deixa de ser algo a ser combatido à escala global.
Oito anos após a World Conference against Racism, Racial Discrimination, Xenophobia and Related Intolerance em Durban na África do Sul repetiu-se a coisa.
Mas a iniciativa foi de todo inútil.
A coisa foi uma farsa, um festival para culpar Israel pelos males do mundo. Claro está, só podia dar em boicote. O bloco ocidental ficou à margem dos trabalhos de Genebra perante à previsível, e depois efectiva, retórica intolerante de Mahmud Ahmadinejad. O Sudão, autor das maiores atrocidades dos tempos modernos no Darfur, opôs-se a todas as formas de racismo e discriminação, rejeitou acusações de escravidão e acusou Israel de realizar uma campanha militar racista em Gaza.
A luta contra o racismo é possível. O ódio de hoje, também é pintado pelo anti-semitismo e pela islamofobia, e não se combate dando um palanque ao líder iraniano ou a alguém da sua laia. Combate-se em casa, na escola e nas ruas com um maior engajamento estatal.
O inquérito de Minorias e Discriminação da União Europeia da Agência da União Europeia para os Direitos Fundamentais diz que 60% de africanos sub-sarianos e 74 % de brasileiros referem que há discriminação em Portugal enquanto no Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial a 21 de Março, a Amnistia Internacional publicava O Racismo e Xenofobia em Portugal (2001-2007) destacando as…
…características com uma conotação positiva, como a “alegria” ou a “espontaneidade”, não deixam de ser o outro lado do mesmo estereótipo inferiorizador, porque são o reverso da medalha da suposta inferioridade racional desses grupos. Em relação ao sistema central de valores português, alinhado com modernidade capitalista ocidental, essas características positivas são invariavelmente associadas a um imaginário de “exotismo”.
E apresenta remédios para este racismo estrutural:
Acabar com esta forma de menorizar e inferiorizar grupos inteiros de Seres Humanos é uma tarefa essencial de qualquer agenda igualitária. Porém, primeiro temos de ter a coragem de assumir que ela existe e substituir a verdade incómoda de que o inimigo está entre nós pela mentira reconfortante que insistimos em acreditar.
Créditos da foto: Diogo Figueira
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Claro que existe racismo em Portugal! Isso não me espanta. Eu sou português e sei que esse fenómeno ainda anda por lá. Começa logo por existir discriminação das pessoas do litoral para as do interior. É incrivel!
Curiosa a estatisca que apresentas, pois eu já fui vitima de racismo/xenofobia no Brasil, já senti na pele isso. Incompreensivelmente aqui em Cabo Verde também. Não compreendo porque são dois paises que brlham pelas suas caracteristicas multirraciais, tornando-os locais tão belos e especiais.
Acho que a comunidade internacional deve deixar-se encontros/reuniões/meetings ou qualquer outra coisa parecida e começar a tomar medidas sérias, sem demagogias.
Concordo contigo pois deveremos enfrentar esta atrocidade para que este Mundo se torne um Mundo melhor.
Pois, sobre esta questão fala-se muito e faz-se quase nada. E a opção pelo políticamente correcto é a regra.
Lamentável.