Esta guerra civil é verbal ou linguística, se quisermos. O país tem uma língua materna e uma oficial e se esta está bem estudada e estruturada a outra anda metida em sarilhos.
A 21 de Fevereiro se festejou o Dia Internacional da Língua Materna e foi uma boa oportunidade para avaliar como anda a dos cabo-verdianos. E o panorama é desolador. Consegui ver de passagem:
Má-Fé
Parece-me deliberada a disseminação da suposta imposição da variante de Santiago a todos os cabo-verdianos, obrigando todos a falarem nessa variante. Obviamente, sem cabimento e nem passa pela cabeça de alguém tal coisa, acho eu. Afinal não estamos no Zimbabué de Robert Mugabe.
Esperança
Encontra-se sobretudo nos mais patriotas e estes normalmente pertencem àquela ala que apregoa o africanismo social cabo-verdiano e é comum nesse meio o tom apressado da oficialização da língua. Os mais acérrimos defensores da ideia pendem predominantemente para o PAICV.
Negação
Nota-se tendencialmente no grupo afecto ao MpD. Muitos repelem o africanismo social cabo-verdiano em contraponto com um certo atlantismo. Alguns dizem nunca vir a usar a ALUPEC e implicam com a adopção do K em substituição do C.
Isto é, todo o processo anda rodeado por equívocos. Com outra comunicação social, com aquela que forma e informa, teríamos mais debates à volta do assunto. Mas não há. Assim como não há outra proposta. Só há uma.
Quanto a mim, os meus motivos são de ordem prática, pois deixo ficar as tecnicidades linguísticas para os peritos. Sempre me fez confusão ao escrever e-mail’s ou no Messenger e reparar que cada um escreve como lhe der na real gana.
Por este e só por este motivo, é que espero ter a escrita da língua cabo-verdiana normalizada o mais cedo possível. Com C ou sem C. Com K ou sem K.
É de lamentar, profundamente, o atropelo ao referendo nesta questão.
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Se a questão fosse só o K…. A questão é mais profunda. Só uma questão: porque é que o Alupec foge do Português como o diabo foge da cruz? Trocam m por n, e por i ou y, c por k, etc…. Porque?
Dúvida sobre a utilização do K e não do C no ALUPEC
Viva,
O K é utilizado no ALUPEC por ser a única letra que pode ser utilizada para representar o som "K" em todos os casos. Por exemplo, como poderá ser traduzida as seguintes frases para o crioulo de Cabo Verde uzando o C em vez do K?
1. Eu quis participar no debate do crioulo.
2. Quem é a favor do ALUPEC?
Como poderá ser traduzida a primeira frase na variante do crioulo de São Vicente usando apenas o C e não o K? Não é possivel fazer a tradução da palavra "quis" usando o "C". No entanto, usando o "K" a tradução seria:
1. N kis participá na debate de kriol.
Como poderá ser traduzida a segunda frase na variante do crioulo de Santiago usando apenas o C e não o K? Não é possivel fazer a tradução da palavra "Quem" usando o "C". No entanto, usando o "K" a tradução seria:
2. Ken é a favor di ALUPEK?
Como a regra base do ALUPEC é utilizar para cada son apenas uma letra, o "K" é a melhor letra para se conseguir representar o son "K" já que o "C" e o "Q" não podem ser usados em todos os casos. Por exemplo, ninguém consegue imaginar a palavra "casa" escrita em crioulo com a letra "Q".
Espero ter conseguido desmistificar esta dúvida.
Um Abraço,
Hélder
Proposta di ALUPEK ka foi fetu pa fugi di portugês nen di otu linga. Ojetivu di ALUPEK é ekunomiza au máximu. Na Portugês ten txéu letra pa representa o mesmu son. Por exenplu, C na palavra "cinco" e S na palavra "saco" ta representa tudu mesmu son "S". Na ALUPEC nu ta ekunomiza ta representa kada letra un son. K na palavras komu "kaza" e "kuandu" S na palavras komu "sinku" e "saku". É un sinples konvenson pa torna aprendizagen di skrita mutu mas fasil. Asi mininus ka ta ten difikuldadi na sabi mó ki é ta skrebe un palavra pamó é diretu. Por exemplo na Portugês nu ten un difikuldadi enorme na sabi si "cozer" di "cozinhar" e "coser" di "costurar" é ku "S" ou ku "Z". Keli tudu pamó ten dôs letra pa representa o mesmu son. Keli é un di kês razon ki prendi skrebi na Portugês é un bokadu difisil. Porki nãu fazi un alfabetu mas sinples nton?
Valoriza kriolu kriandu un alfabetu pa el ka signifika substitui portugês. Portugês tanbé ta fazi parti di nos kultura e é pa kontinua ta ser valorizadu. Por issu, ki proposta é pa ofisializa kriolu en paridadi ku Portugês. Tudu dôs au mesmu nivel, sima ta kontisi na txêu pais bilinge ki ka ten problema ninhun di minis prendi tudu dos ou mas linga.
Mas un kuza, ALUPEK é ka linga e ninhun di sês varianti. El é alfabetu pa eskrita. É un konjuntu di regras ki foi definidu pa eskrita di kriolu na tudu sês varianti. Ou seja, si-m kizer skrebi inglês na ALUPEK N podi faze-l, sima tanbé N podi skrebi kriolu uzandu alfabetu inglês.
Helder, um tava gosta de sabê pamode Alupek deve "ekunomiza au màximu"!! Sera que primer objectivo de quem elabora es – terceira – lingua foi somente economiza lingua?!! Um ta stranha tal démarche pamode lingua é tud fora economia de palavras e letras, mas rica é paleta de letras mas rica é lingua. Pamode ostracisa certas letras (obviamente por razoes superficiais e negativas) ki ta ixisti tambi por etimologia e ligason genealogica evidentes e indissociaveis. Traçabilidade dum escrita tem sê importância na casu dum lingua moda nos kriol. Português ka sta nem em linha de conta pa mim mas sim latim, ke nos ponte de partida, afinal. K ka sta em contradison ou conflitu ma C, ele deve somente da sê mais-valia e nao substitui. Contudo, Cabo-verdianos ka é patavina e povo ku miolo atrofiadu pa contenta dum escrita simplificadora e sobtretudo simplista, fete pa economiza trabadju mental e cerebral!! Manera?!! Alupekadores kria mas um problema linguistiku pa nos mininu pamode no sabe perfeitamente kes oficializason é um impostura e kasi um golpe de estadu cultural pamode nenhum experimentason, nem evaluason foi fete. Um troça pa kriol e kriolus!! Um retrocesso intelectual seguro, fonetica ka ta faze sentidu pa normalizason dum escrita, fonetica é parte invisivel dum escrita. Es Alupek é trabadju de preguiçosos contentes!! Na nos casu singular e complexu, eskrita deveria ser uma mais-valia e nao o contrario… Décidément, ainda Kabuverdianus ka toma plena consciência de lugar e significason di se lingua, pa ele mesmu e otus povus, na historia universal das linguas humanas. Dommage, tempo preciosu ta bem ser perdidu ma es intronizason do Alupek. Nos independência mental e spiritual perdê mas um czinha na beku dos egos cegus!
eu sou brasileiro, e peço vênia para entrar neste debate. Pra mim aqui do Sul, Rio de Janeiro, o kriol de vocês não me parece uma outra língua, está mais para um dialeto de português (mesma sintaxe, grande conjunto de palavras em comum etc).
Qual a necessidade da ALUPEK? me fazer, como parlante da língua portuguesa, ter maior dificuldade de me comunicar com vocês?
não vai aki uma krítica, apenas fikuei kurioso em relação às motivações que levaram a este movimento.
tks
Olá Radical Livre, cá não se pede licença, aliás, É OBRIGATÓRIO entrar no debate!
O seu caso é claramente diferente, pois os portugueses não percebem patavina da nossa língua, por exemplo. Invariavelmente, os colegas na Universidade dizem que estamos a falar a nossa língua para os insultarem, sem eles perceberem…
Pode-se encontrar algum paralelismo com o caso cabo-verdiano em Espanha, na Catalunha.
Olá Amilcar!
Como deve calcular, quem diz que dois cabo-verdianos, em portugal, falam "cabo-verdiano" para que os colegas portugueses não os entendam, só pode ter uma cabeça do tamanho de um girino, pois não deve ter cérebro para pensar mais do que isso…
Quanto à questão linguística, devo dizer que o protuguês, quando se formou (após variante latino-ibérica) teve também os mesmos problemas. Basicamente: qual o sinal a adoptar para representar um determinado som. Nesse tempo, deve ter sido muito mais fácil, uma vez que apenas uma mão cheia de pessoas, entre milhares da comunidade falante, tinha legitimidade para colocar em signos aquilo que a língua fazia vibrar. Hoje, a maioria tem essa legitimidade e a quase totalidade tem essa liberdade.
Antes de deixar a língua para os linguístas, a língua deve ser deixada para os falantes. São os cabo-verdianos que, falando ao longo do tempo, poderão vir a fazer desenvolver a língua, mesmo que para isso tenham de existir variantes próprias de cada ilha.
Cumprimentos.
eu sou brasileiro, e peço vênia para entrar neste debate. Pra mim aqui do Sul, Rio de Janeiro, o kriol de vocês não me parece uma outra língua, está mais para um dialeto de português (mesma sintaxe, grande conjunto de palavras em comum etc).
Qual a necessidade da ALUPEK? me fazer, como parlante da língua portuguesa, ter maior dificuldade de me comunicar com vocês?
não vai aki uma krítica, apenas fikuei kurioso em relação às motivações que levaram a este movimento.
tks