Amílcar Tavares

Mais sobre a lavandaria cabo-verdiana

by Amílcar Tavares on 13/02/2009

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Carlos Burgo no BCV

Carlos Burgo no BCV

O último episódio do escândalo financeiro luso, que envolve o Banco Português de Negócios e tem braço no Banco Insular, foi protagonizado pelo Banco de Cabo Verde que vai revogar a licença do Banco Insular.

Eis o Cape Verdean Way.

O BCV acaba por demonstrar que sempre esteve a par das movimentações desse obscuro banco e que até deu cobertura. Agora com o rebuliço já feito em Lisboa é que Carlos Burgo toma a correcta opção. E só porque o que está em causa é a “reputação do país”.

De momento, é com toda propriedade que se questiona se há casos semelhantes abafados.

Num país com cultura de responsabilização, Carlos Burgo seria demitido.

Créditos da foto: dhammza

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{ 10 comments }

1 G.Silva February 13, 2009 at 09:10

Amilcar, no nosso país cabeças não rolam quando as (cabeças) de todos os carrascos se encontram também na guilhotina. CV tem servido de Lavandaria há muito, embora este seja um caso mais cebeçudo e tornado público. Obrigado pelo update. Aquele abraço caboverdiano.

2 Lena February 13, 2009 at 14:10

A leitura parece-me enviesada. O Insular e o BPN Cabo Verde são IFIS e quando o BCV há dois anos detectou irregularidades denunciou-as ao Banco de Portugal. Isto é público e referido por toda a imprensa. Quem despoleta a questão exigindo que o Insular reponha a ilegalidade é o BCV – o próprio Cadilhe admitiu ter sido alertado por diversas vezes pelo BCV!!
Quem administra a lavandaria do BPN em CV (e não pode ter ignorado o assunto) são a raquel Medina e a Teresa Amado. Acho engraçado que nem delas fale… ou são cabeças que não devem rolar?
A atitude ora tomada pelo BCV reflecte o procedimento em curso (como sabe as irrgularidades são praticadas a partir de Portugal) e a decisão certamente não foi tomada ontem antes é fruto dum processo de decisão que nos bancos tem o seu tempo.
Julgo que temos de ser coerentes nas análises

3 Amílcar Tavares February 13, 2009 at 20:22

Cara Lena. Obrigado pela visita e pelos comentários
O enviesamento parece-me que está do lado da decisão, tardia, do BCV. Se tudo se passasse em Lisboa, e não houvesse ilícito em Cabo Verde, eles nem tinha que revogar a licença. Eis a coerência. Ou a falta dela.
Não tem nada de engraçado o facto de eu não mencionar as pessoas que você aponta. Isso fica para os Tribunais.
Cumprimentos e volte sempre.

4 Zezito February 14, 2009 at 23:49

Cara Lena, o seu post transpira parcialidade, penso que as pessoas que a senhora menciona não foram chamadas para a festa e têm um denominador em comun. Esta abordagem só dificulta as coisas. De qualquer forma a actitude do BCV é reflexo de um certo subalternização das intituições Cabo Verdianas. Ou seja, se o escandalo não tivesse estoirado em Portugal os Cabo verdianos haviam de ficar a ver aviões a passar pois tudo era tratado ao nivel do BCV e Banco de Portugal com o primeiro numa posição secundária.

5 Lena February 13, 2009 at 21:18

Pelo contrário, há motivos a partir do momento em que cheguem informações do Banco de Portugal que o justifiquem e que não tenham sido regularizadas as irregularidades que o BCV detectou e comunicou ao Banco de Portugal.
Cptos.

6 Amílcar Tavares February 13, 2009 at 21:33

O Banco de Cabo Verde não é um subalterno do Banco de Portugal, por isso só tem que actuar ao detectar irregularidades. Não tem que andar a comunicar. Ponto final. Aquilo que o BCV fez foi passar a batata quente.

7 Lena February 14, 2009 at 01:49

Há regras de relacionamento entre bancos quando se trata de IFIS e off-shores. A supervisão tem regras e obedece a normas legais. Por isso em 1998 para autorizar aqui o banco foi necessário que tivesse sido autorizado primeiro pelo Banco de Portugal. Nada de complexos porque aqui não há subalternidade. O BCV fez o que a lei manda e comunicou aquilo que observava irregularidades (no capital) pois as operações eram realizadas (e muito bem disfarçadas) em Portugal e notificou o banco para as rectificar. Sem complexos de subalternidade.

8 Amílcar Tavares February 14, 2009 at 03:48

Mais uma vez: se os ilícitos eram (muito bem disfarçadas) em Portugal, e se estava tudo OK com as operações do Banco Insular em Cabo Verde, para quê revogar a licença do banco que opera no país? Aparenta ser um contra-senso. Há demasiadas pontas soltas!

9 Lena February 17, 2009 at 02:18

Zezito:
São as administradoras do BPN- Cabo Verde!!! Estão identificadas como tal. Abordar um esquema finaceiro que envolve REino Unido (donos do Insular) Portugal (SLN/BPN e alguns elementos do topo do PSD) Ilhas Caimão, etc. etc. como sendo uma lavandaria cabo-verdiana não é enviesado? E tratando-se de lavandaria cabo-verdiana não se chamam os administradores da lavandaria mas tenta-se inculpar o BCV que as instâncias internacionais consideram que agiu bem inclusive o Constâncio já admitiu que recebeu o AVISO (termo técnico bancário) do BCV de há muito?
Revogou, revogou bem e em tempo. E as razões que apresentou são lógicas e decorrem do prazo que deu ao Insular para regularizar a sua situação, naturalmente acrescido dos dados que entretanto o BdP enão a comunicação social lhe vão entregando.
Queriam então que o BCV supervisionasse operações que tiveram lugar em Portugal? Mas não que se investigue o que andaram a fazer as administradoras…

10 Lena November 18, 2009 at 03:21

Há regras de relacionamento entre bancos quando se trata de IFIS e off-shores. A supervisão tem regras e obedece a normas legais. Por isso em 1998 para autorizar aqui o banco foi necessário que tivesse sido autorizado primeiro pelo Banco de Portugal. Nada de complexos porque aqui não há subalternidade. O BCV fez o que a lei manda e comunicou aquilo que observava irregularidades (no capital) pois as operações eram realizadas (e muito bem disfarçadas) em Portugal e notificou o banco para as rectificar. Sem complexos de subalternidade.

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