Não gosto da ideia de Blog Joint. Não gosto de amarras e blogar é uma coisa íntima. Entre blogger e leitora ou leitor.
E livre.
Mas a agenda do grupo Bianda, Café Margoso, Geração 20 J. 73, Ku Frontalidade, Teatrakacia, Passageiro em Trânsito, Tempo de Lobos não deixa de ser interessante.
O assunto proposto há dias a todos foi um debate à volta do ensino superior em Cabo Verde, que de momento tem 8 escolas.
Sem opinião formada, fiz alguma pesquisa.
Acabei por encontrar um estudo sobre a densidade do número de instituições de ensino superior nos vários países da União Europeia de Vítor P. Crespo, Professor na Universidade de Coimbra.
Diz o investigador que países com, mais ou menos, a mesma população que Cabo Verde (499.796 habitantes) como o Chipre (700 mil) e Malta (380 mil), têm uma universidade enquanto que o Luxemburgo, com 440 mil habitantes e que alberga uma imensa diáspora cabo-verdiana, tem três.
O quê que se passa nalgumas cabeças no arquipélago?
Créditos da foto: FJ Gaylor Photography
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Só 8? Aqui em S. Vicente acho que atingimos este número. Só aqui…
Uma análise interessante que vai de encontro ao que sempre pensei. E ainda não vamos ficar por aqui. Há-de haver Universidades em todas as ilhas e quem sabe, em Santa Luzia…
Abraço
JB
Dá a ideia de que se quer um país de doutores e pobretão. Os recursos e as oportunidades, que se perdem com estas manias de ter uma universidade, deviam ser canalizados para outro tipo de formação: formação cívica, cultural e artística (que conheces melhor do que eu), por exemplo.
Surge-me também a ideia da canalização desses esforços para a criação de incubadoras de empresas como forma de incentivar a criação de emprego.
Enfim, há muito por onde pegar, sem cair no desperdício, algo que não podemos dar ao luxo de fazer.
Muito bem,
uma anáilise muito directa sobre a questão.
Manti
Posso ser suspeito, porque estou a dar aulas na UniCV/ENG. Mas preciso de dizer que me parece importante apostar na formação em Cabo Verde.
Pelo que vejo no curso de Relações Públicas e Secretariado Executivo (RPSE), há talento por dinamizar em Cabo Verde. Falta é motivação.
E falando especificamente do curso de RPSE, alguns alunos já têm muita experiência de trabalho em empresas, nas forças armadas e em organismos públicos. E grande parte do trabalho de relações públicas é descobrir oportunidades e facilitar os processos. A perspectiva que tenho pode ser limitada ao curso onde dou aulas, mas é por estas razões que acho importante investir no ensino, porque apenas falta motivação, e porque um dos objectivos é aproveitar melhor as oportunidades que surjam.
A educação sempre foi um desígnio nacional e a aposta é obviamente correcta. E não é com uma universidade em cada ilha que o desejado desenvolvimento chegará.
Mais correcta seria a aposta em escolas politécnicas que compensem as necessidades do país nas áreas onde se precisa de pessoas com competências adquiridas em escolas profissionalizantes.
Falta dizer uma coisa sobre o teu post, Amílcar. O Blogjoint não coloca amarras em ninguém. O tema é decidido em conjunto, o dia de o lançar na net também, sendo que para já a periodicidade é mensal. Ainda "sobram" 29 dias, no mínimo. A ideia é boa e resulta, como de pode ver com este primeiro tema. E a tua vontade de falar do assunto comprova isso mesmo!
Abraço
João
Usei a palavra amarras no sentido mais lato do termo. Como disse, é um quase think tank muito interessante e por isso estarei atento aos debates.
erro grave de tem tcheu universidade, se calhar era muito melhor aglomeras tud num so, junta tud ques publico na um so e distribuis pa polos, 1 na cidade da praia, outro na interior e outro na mindelo.
agora quase tud lugar cre 1, jam uvi fala q pessoal de fogo cre tb, daquimanada nos de sal ja no cre … e ques bla bla bla do custume….
Gostei da ideia de criação de pólos e é bem capaz de se concretizar, pois muitas dessas escolas não deverão aguentar muito tempo. Carecem de sustentabilidade e mercado.
A educação sempre foi um desígnio nacional e aposta é obviamente correcta. E não é com uma universidade em cada ilha que o desejado desenvolvimento chegará.
Mais correcta seria a aposta em escolas politécnicas que compensem as necessidades do país nas áreas onde se precisa de pessoas com competências profissionalizantes.
Sou da mesma opinião em relação ao exagero que é a quantidade de Inst do E Superior em Cv, quando é sabido haver carências a vários níveis – estrututuras físicas, corpo docente devidamente qualificado, bibliografia, etc. No entanto, é preciso, também, não esquecer que há especificidades intrínsecas ao arquipélago que impedem que, no quadro da densidade de instituições universitárias, seja comparado com países que, em termos demográficos, estão num patamar semelhante. A pobreza e a insularidade são dois factores que podem justificar uma certa dispersão das universidades por outras ilhas, senão corre-se o risco de pôr em causa todo o processo de democratização do ensino em Cv, e subsequentemente a reprodução das desiguladades sociais e regionais. Portanto, em detrimento da massificação das Inst do E superior, mormente na Praia e em S. Vicente, teoricamente, seria mais sensato e justo criar polos universitários regionais que iriam potenciar o acesso ao E S a alunos oriundos de famílas mais carenciadas, que não podem suportar os encargos advenientes da deslocação dos mesmos para Praia e S.Vicente.
Percebi o seu ponto de vista. Mas fica uma questão pertinentes: como é que essas "universidades" serão capacitadas com vista à pesquisa, investigação e ensino que produzam conhecimento?
Tudo isso custa muito dinheiro, e isso não existe.