Responda de rajada: quantos produtos “Made in Cape Verde” conhece? Atenção: Cesária Évora e grogue não contam.
Difícil? Claro. Tal acontece porque Cabo Verde nunca deu um salto qualitativo.
Em 1975, Pedro Pires e os seus camaradas pularam da selva para os ministérios enquanto que em 1992 Carlos Veiga e companhia saíram da sombra dos senhores do partido único para as cadeiras do poder. Claramente, nenhum dos dois grupos tinha o know-how necessário para o tal salto.
O país não cresce, nunca cresceu sustentadamente e consome mais do que produz.
Tais insuficiências ainda hoje se refletem na sociedade cabo-verdiana. O desemprego em Cabo Verde era de 17,8 por cento no ano passado, menos 0,5 por cento do que em 2006, e nos últimos dois anos o trabalho infantil duplicou para mais de 16 mil. Deviam estar na escola.
A equipa de José Maria Neves somente logrou criar 22 mil empregos em dois anos e levando em conta que 39.5% da população tem menos de quinze anos é perceptível que todos os anos há uma nova fornada de desempregados.
Tarefa difícil para os empregar num país sem estruturas, dominado pela demagogia da redução para um dígito percentual no desemprego. Se o Governo anda aos papéis, a oposição não tem a mínima ideia de como melhorar esta triste realidade.
Ninguém sabe como aumentar as exportações ou incentivar a produção de bens e serviços, por exemplo. É ridículo o suspense que vive o país: ao ritmo da chuva e de um turismo amador e desinteressante.
Um Governo pouco eficiente, uma economia pouco competitiva e um país excessivamente dependente das ajudas externas dão o quê? Pobreza, desemprego e criminalidade.
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Discordo numa coisa. Trabalho infantil em CV? Onde? Só se tomarmos como referência o modelo europeu. Manti.
Com isto, quer dizer que a definição de criança é diferente de continente para continente ou de país para país?
Com isto você quer dizer que a definição de criança é diferente de continente para continente ou de país para país?
Quer dizer que em CV ao contrário do que existe na China, Índia, alguns países da África e América Latina por exemplo, o conceito de trabalho infantil da OIT não se aplica. Muitas crianças em CV trabalham (uma parte do seu tempo), ou melhor ocupam o seu tempo de lazer vendendo algo (ou aprendendo um ofício), como forma de ajuadar a família em situação miserável. E trabalho doméstico não conta. Como sabes, nos países acima referidos não. A criança trabalha mais de 8 horas por dia, recebendo um salário (uma mexeria diga-se de passagem). Em CV isto não acontece, embora possa haver casos pontuais, estou a pensar por exemplo nas crianças ajudantes nos hiaces. Estudei crianças de rua na Praia e muitos levam em conta as suas tarefas de sobreviência como trabalho. Nada mais errado. Espero ter explicado bem a minha posição.
Fui à procura mas essa informação não aparece nem no site do Instituto de Emprego e Formação Profissional nem no do Instituto Nacional de Estatística.
Mas enviei um email para os contactos que lá têm. Se quiseres também podes fazê-lo para:
Nádia Firmino, Coordenadora Técnica (nadiaf@ine.gov.cv)
Francisco Rodrigues, Coordenador Técnico Adjunto (franciscor@ine.gov.cv)
Fernando Rocha, Coordenador da Recolha (frocha@ine.gov.cv)
Larissa Serdikova, Consultora (liven_listva@hotmail.com)
Os dados do emprego têm uma metodologia uniforme, qualquer que seja a faixa etária que medem. Dito de outra forma, mede-se a situação no trabalho de todas as pessoas com idade superior ou igual a 6 anos, respeitando assim as recomendações da OIT e os compromissos que o Sistema Estatístico tem de responder e que são pedidos ao INE ou ao IEFP. Não inclui o trabalho infantil porque este conceito é diferente. No inquérito pode-se falar em crianças trabalhadoras. os resultados (pessoas entre 6 e 17 anos) mostram que são na sua larga maioria trabalhadores familiares sem remuneração, no sector agrícola e que estão a frequentar um estabelecimento de ensino. O seu aumento significativo deve-se às chuvas excepcionais do mês de Outubro. O trabalho infantil, tal como medido internacionalmente, deverá ser consideravelmente mais baixo em Cabo Verde. Para mais detalhes queiram contactar-me para o email submetido.
Penso que há muito mais riqueza própria do que se supõe. Seria interessante verificar qual a percentagem de PIB que as actividades culturais implicam no todo nacional, por exemplo. Preocupante mesmo é o aumento quase exponencial de desempregados licenciados em Cabo Verde…
Talvez isto pode servir como termo de comparação: o relatório de 2007 do Banco de Cabo Verde diz que para a Balança de Serviços, o Turismo entra com 22 mil milhões de escudos enquanto que os Serviços Pessoais Culturais e Recreativos com 14 milhões de escudos. O turismo tem cerca de 23% do PIB.
É deveras preocupante e está de acordo com tudo aquilo que escrevi. As taxas de desemprego são: 13,5% têm curso médio (300 pessoas) e 21,8% têm curso superior (1377 pessoas)!
Como largamente referido durante as apresentações dos dados do inquérito ao emprego, a tendência de aumento do desemprego desde 2005 das pessoas com curso superior é grande. Isso porque a questão é para o nível frequentado e não apenas para o nível concluído. Naturalmente, existe uma grande pressão para as pessoas que estão a frequentar um curso superior em Cabo Verde procurarem emprego para sustentarem os estudos. O alargamento do ensino superior tem este efeito: cada vez mais indivíduos sem trabalho, a procurarem trabalho para financiar os estudos. Isto eleva a taxa de desemprego desta camada para 21,8% mas a proporção dos indivíduos com, ou a frequentarem, um curso superior é de 4% dos desempregados. Cerca de 9 em cada 10 desempregados em CV tem o EBI e o Secundário.
Obrigado pelas informações. Fiquei esclarecido.
Aí vai os "made In cape Vert":
Vulcão do Fogo
Monte Tchota
Vale de Paul
Aguas Trindade
Nha Nacia Gome
Ferro gaita
Morna
Batuque
Coladeira
Colá s,Jon
Codé d Dona
Zeca Nha Reinalda
Toresma de D. Nanda
Cachupa
Cabidela
Criolas
Tabanka Tchan di tanqui
Vale di Paul
Ramiro mendes
Paulino viera
Mascarenhas Monteiro
Norberto tavares
Ponche calabacera di S.Domingos
Paltel di D.Titina
Praia Santa mónica
Seminário S.Nicolau
Cidade velha
Polon
Zeca nha reinalda
Vasco Martins
Ups ..bloquei!!
Peço perdão
José Oliveira
Muito obrigado pelas sugestões. Não queira exportar todas essas personalidades e daí tirar dividendos. Ficaríamos ainda mais pobres!
Concordo inteiramente com a análise feita sobre a incapacidade dos nossos diversos líderes ao longo destes 34 anos de independência, de criar um programa capaz de diminuir a nossa dependência externa.
Um crescimento sustentado está de braços dados com os bens que conseguimos exportar e equilibrar a balança comercial.Tanto diminuindo a nossa dependência ( quase total) do exterior e impulsionar a nossa economia.
Porque não promover junto da sociedade civil uma reflexão sobre o assunto??
Admitir não ter soluções não é tão pior como deixar a situação arrastar-se indefinidamente.
Em minha opinião, reflectir com a sociedade civil sobre como alavancar isso trará muito pouco. Essa sociedade civil deve sim, pressionar os deputados que elegeram para que legislem no sentido da criação de condições para que tal aconteça.
Caro Amílcar, o caboverdiano ( para minha tristeza) médio ainda está muito longe de entender o poder que tem, caso decidisse manifestar o seu descontentamento perante as autoridades competentes. Ainda temos um longo caminho para percorrer, temos que ultrapassar a barreira do reclamar entre amigos e passar a fazê-lo nos meios adequados.
Não me considera uma optimista e como tal desconfio que nos próximos tempos a sociedade civil venha a assumir essta atitude activa que pode levar-nos a um lugar diferente daquele que nos encontramos. Tenho lido comentários variados sobre a situação do nosso pais e a ideia com que fico é de um certo desnorte nas políticas e numa certa irresponsabilidade quanto ao nosso futuro de médio e longo prazo. Gostaria de ser menos céptica mas a forma de fazer política dos nossos líderes não o permitem.As decisões são tomadas a pensar nas cores partidárias e nunca no que o nosso país precisa para ser um projecto não só viável como de sucesso.
Made in Cabo Verde:
Atum enlatado, torresma, tchoris, bolacha sonvicente, kuskus, kufongo, camoca midxu tera, sandália sola pineu di carro, mel, arco, carro di lata etc