O Departamento de Estado americano criticou ontem diversos países por restringirem a liberdade de expressão na internet no seu relatório anual sobre os Direitos Humanos. Hoje, a Repórteres Sem Fronteiras comemorou o Dia Mundial contra a Censura na Internet.
O relatório lançado hoje, Os Inimigos da Internet, diz que num terço do planeta, 50% mais do que em 2008, a liberdade de expressão na internet está ameaçada. Aproximadamente 120 blogueiros foram presos, 72 deles na China que é a maior penitenciária para ciberdissidentes.
Enquanto os piores exemplos vêm da Arábia Saudita, Burma, China, Coreia do Norte, Cuba, Egipto, Irão, Síria, Turquia, Turcomenistão, Uzbequistão e Vietname, há sinais de preocupação na Austrália, Coreia do Sul, França, Itália e Reino Unido.
O mundo está cada vez mais perigoso. Clique aqui para ler o relatório completo.
Publicado todos os anos pelo Departamento de Estado dos EUA, o 2009 Country Reports on Human Rights Practices dá um puxão de orelhas ao funcionamento da Justiça cabo-verdiana:
O governo respeitou os direitos humanos dos seus cidadãos, no entanto, problemas foram relatados em algumas áreas: abusos policiais de presos, a impunidade da polícia, más condições prisionais, detenções preventivas prolongadas, atrasos excessivos no julgamento, violência e a discriminação contra as mulheres, abuso de crianças e alguns casos de trabalho infantil.
A 34ª edição do relatório, divulgado ontem pelo Departamento de Estado norte-americano, identifica violações sérias em Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Brasil e Timor-Leste e nem Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são poupados.
Créditos da foto: Damon Duncan. Usada sob licença Creative Commons 3.0.
José Maria Neves e Carlos Veiga têm que fazer mais. Muito mais, pois não basta assinar um pacto e mandar os deputados levantar o braço no Parlamento como aconteceu na altura da votação da última revisão Constitucional.
Nada a comemorar hoje.
O 2008 Country Reports on Human Rights Practices publicado pelo Departamento de Estado dos EUA relatava a condição da mulher cabo-verdiana:
A violação, incluindo a violação conjugal, é crime, mas o governo geralmente não aplica efectivamente a lei, o número de processos durante o ano foi pequeno.
A violência doméstica contra as mulheres, incluindo o espancamento da esposa, foi generalizada. O governo e a sociedade civil incentivam as mulheres a relatar as infracções (…) no entanto, os valores sociais e culturais duradouras inibem as vítimas de o fazer. O número de processos foi reduzido.
O assédio sexual é comum e culturalmente não é percebida como um crime.
A discriminação contra as mulheres continuou.
Há semanas desabafava uma das vítimas de Violência Baseada no Género (VBG), na ilha do Sal, à Inforpress:
O meu companheiro mandava-me apresentar queixa, quando me agredia, convicto de que nada iria acontecer-lhe. Na verdade, foi afastado da casa, mas continua a perseguir-me. Não sei o que me pode acontecer, porque ele continua a ameaçar-me de morte. A justiça só actua com rapidez quando o pior acontecer.
Claramente, toda a gente tem de se esforçar pois a Justiça não está adequada aos tempos modernos e os cabo-verdianos vão deixando, paulatinamente, de acreditar na Justiça. Obviamente, uma consequência de atitudes irresponsáveis.
Créditos da foto: Julien Lagarde. Usada sob licença Creative Commons 3.0.
A nossa resposta à música é inata ou culturalmente determinada? A reação ao ritmo e à melodia é universal ou influenciada pelo ambiente? Bobby McFerrin, fenomenalmente, ilustra a interação da música com o cérebro e com as nossas emoções:
Johnny Depp é o Chapeleiro Louco e Mia Wasikowska, Alice com 19 anos de idade, que regressa ao excêntrico mundo que conheceu pela primeira vez quando era criança, para agora embarcar numa fantástica viagem para encontrar o seu verdadeiro destino e acabar com o reino de terror da Rainha Vermelha.
É o novo filme de Tim Burton e começou a ser rodado em Maio de 2008 com data de estreia prevista para 5 de Março de 2010 nos Estados Unidos. A première mundial de Alice no País das Maravilhas teve lugar esta quinta-feira, em Londres.
Via euronews
A um ano das eleições, a área da segurança, com naturalidade, estará também sob escrutínio. Tendo, provavelmente, esse facto em mente, o Ministério da Administração Interna apresentará na segunda-feira algumas medidas que julga combater a violência e criminalidade onde a equipa do ministro Lívio Lopes destaca:
Reforço e capacitação da Policia Nacional
- Afectação de 118 novos efectivos visando o reforço:
- Do policiamento e patrulhamento ostensivo das principais zonas críticas de insegurança;
- Do corpo de intervenção e das brigadas BIC/BAC;
- Da Esquadra de interior de Santiago e principais Comandos do país;
- Afectação de meios de mobilidade traduzida em 15 viaturas para suprir as necessidades da Praia, interior de Santiago, São Nicolau, brigadas, corpos de intervenção;
- Reforço de meios para o combate à proliferação de armas ligeiras com a reestruturação da Comissão Nacional de Armas Ligeiras e de Pequeno Calibre;
- Instalação de scanners móveis e fixos para a fiscalização e controlo de armas nos portos e aeroportos;
- Conclusão da discussão da Lei de armas e a sua aprovação imediata;
- Reestruturação das brigadas, mediante a criação e instalação de Esquadras autónomas; afectação de equipamentos de protecção (coletes à prova de balas), de mais recursos humanos e outros meios e materiais necessários; e formação técnica de investigação criminal;
- Promoção de Chefes de Esquadras para suprir o vazio das Esquadras de Órgãos, Santa Catarina do Fogo, Tarrafal de São Nicolau e Sal, no concernente ao Comando Operacional da Policia Nacional. Da mesma forma, comandar e coordenar a implementação dos programas de Segurança Solidária entre os quais a escola segura, a luta contra a violência, turismo seguro e comércio seguro.
Medidas operacionais
- Adopção de um Plano Operacional Nacional;
- Planos especiais para os Comandos Regionais com os seguintes objectivos:
- Implementação de acções de revistas e buscas no quadro da Lei de Segurança Interna para a apreensão de armas de Fogo, combate ao consumo de álcool, drogas, etc.
- Patrulhamento auto e apeado, com o propósito de garantir a segurança de pessoas e seus bens;
- Fiscalização do trânsito rodoviário, para o controlo e segurança de trânsito rodoviário.
Qual a sua opinião sobre as medidas apresentadas? Você acha que resolverão o problema? O que você acha que falta neste plano?
Créditos da foto: barjack. Usada sob licença Creative Commons 3.0.
O Primeiro-Ministro anunciou hoje mexidas no seu Executivo onde também operou uma entrada, duas saída e uma promoção de outro. A um ano das eleições Legislativas, esta remodelação de José Maria Neves é quase toda ela um piscar de olho ao eleitorado.
A começar, descarta-se dos problemáticos e contestados Manuel Veiga e Vera Duarte. Depois, o galanteio prossegue pela Diáspora dando-lhe o Ministério das Comunidades Emigradas, diz que sim à classe empresarial com a criação do Ministério do Turismo, Industria e Energia, e ainda, corteja os jovens com o Ministério da Juventude.
No entanto, a surpresa maior tem um nome: Lívio Lopes, Ministro da Administração Interna. Falhou e por isso devia ser demitido, pois nunca apresentou estratégias e medidas para a segurança, tendentes à prevenção e à contenção de uma crescente e preocupante criminalidade violenta.
Com Lívio Lopes, José Maria Neves acabou por não transmitir a necessária serenidade à população. Obviamente, esta é uma remodelação tout court.
Os preços das tecnologia da informação e comunicação (TIC) estão caindo em todo o mundo mas a internet de banda larga ainda permanece fora do alcance de muitos dos países pobres. É isso que a agência da ONU, International Telecommunication Union – ITU diz no seu relatório Measuring the Information Society 2010 divulgado ontem.
Naturalmente, o continente africano está na cauda da lista mas também foi nesta região que o progresso foi mais forte, onde se destacaram países como Cabo Verde — 105º da lista — e a Nigéria. No entanto, apenas Seychelles, Maurícia, África do Sul e Argélia estão incluídos no top 100.
Os preços cobrados pela CV Telecom estão no 105º lugar do ranking enquanto o índice de preços noutros países lusófonos são: Portugal ocupa a 38ª posição, Brasil 87º, Angola 120º, São Tomé e Príncipe é o 143º e Moçambique está na 158ª.
O índice ICT Development Index classifica 159 países de acordo com o seu nível de TIC e reúne 11 indicadores numa única medida que pode ser usado como uma ferramenta de benchmarking global, regional e a nível nacional, bem como ajudar a controlar o progresso ao longo do tempo. Ele mede o acesso, utilização e habilidades nas TIC e inclui ainda indicadores como domicílios com computador, o número de subscritores de internet de banda larga fixa e as taxas de alfabetização.
Créditos da foto: MarkKelley. Usada sob licença Creative Commons 3.0.
O recente golpe no Níger despoleta a questão. Patrick J. McGowan publicou em 2003 no The Journal of Modern African Studies o artigo African military coups d’état, 1956–2001: frequency, trends and distribution onde contabilizava 80 golpes de Estado bem-sucedidos, 108 tentativas de golpe de Estado e 139 relatos de golpes em 48 países da região subsariana num período de 46 anos, de Janeiro de 1956 a Dezembro de 2001.
Em Agosto de 2005, Paul Collier e Anke Hoeffler do Centre for the Study of African Economies do Departmento de Economia da Universidade de Oxford publicavam outro artigo, baseado nos dados do anterior, para explicarem o porque de a África ter tantos golpes de Estado:
Em África, as conspirações para o golpe são de longe o desafio mais comum para a continuidade dos regimes. Neste trabalho nós investigamos a propensão a golpes baseando-nos sobre o nosso trabalho anterior sobre a propensão à guerra civil. O aspeto mais marcante de nossos resultados é a semelhança entre as causas de golpes e guerras civis. Indicadores padrão de injustiça, como a repressão política e desigualdade económica não figuram como influências significativas. Um núcleo comum de fatores económicos sustenta a propensão a golpes e guerras civis: o baixo rendimento e a falta de crescimento. Ambos são igualmente objeto de ‘armadilhas’ – quando um golpe ou uma guerra civil ocorre, esses eventos tornam-se ainda mais prováveis. Nós tentamos investigar se as políticas que favorecem os militares podem reduzir o risco de golpes, mas descobrimos um efeito perverso: os altos gastos militares podem até aumentar o risco de um golpe.
Actualização: O exército turco, o segundo maior na NATO a seguir ao norte-americano, é a instituição mais popular da Turquia, que garante a república laica, está no centro de acusações de uma conspiração com vista a um golpe de Estado.
Créditos da foto: hdptcar. Usada sob licença Creative Commons 3.0.
A Society for News Design divulgou na terça-feira passada os premiados da 31ª edição da sua SND World’s Best-Designed 2009.
Durante 2009, os jornais impressos que mais se destacaram no planeta (obviamente, os cabo-verdianos não entram nestas contas) foram aqueles que voltaram às origens, optando por grandes imagens, tipografia sofisticada, a opção pelo jornalismo analítico e explicativo, manchete criativas, história e arte.
Tudo isto num ano em que a crise acelerou o provável fim da era do papel. Muitos tentam reinventar novos modelos e criar novos negócios. A aposta nas edições online e num jornalismo mais participativo tem sido a tendência. A cobrança pelo acesso integral aos conteúdos online à semelhança do Wall Street Journal está em debate e o The New York Times pode ser o próximo.
E os vencedores do SND World’s Best-Designed 2009 são ….
der Freitag – Berlim, Alemanha (Circulação: 12.400)

Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung – Alemanha (Circulação: 347.000)

The New York Times – New York City, EUA (Circulação: 800.000)
